O que Bererico vai pensar?
Um registro dos reflexos da "Acção Integralista Brasileira" numa pequena vila no interior do Espírito Santo, onde a relação de duas famílias de imigrantes italianos, cujos patriarcas eram grandes amigos, é abalada seriamente por divergências ideológicas e políticas.
A mágoa perdura por décadas e atravessa gerações no pequeno vilarejo de Floresta (hoje denominado Burarama, distrito de Cachoeiro de Itapemirim). Ali predomina um silêncio velado entre os descendentes, e o assunto foi "esquecido" pela maioria dos moradores.
Houve resistência para as entrevistas, como pode ser sentido na insegurança dos abordados. Mas por meio de suas expressões podemos entender como o período marcou a todos de forma muito contundente, definitiva.
São procedidas as mesmas perguntas a todos os entrevistados, e as respostas organizadas de forma a dar ao espectador a noção do desconforto predominante. E assim tecer um fio narrativo único entre os camponeses e estudiosos do tema.
Inicia-se com o fenômeno da migração italiana para o Brasil, italianos fugindo da guerra da unificação no final do sec. XIX.
Estudiosos e camponeses depoentes em cortes pontuais para evidenciar a história geral até chegar na pequena comunidade de Burarama, Cachoeiro de Itapemirim-ES.
No segundo bloco, é exposta a situação do Brasil e dos trabalhadores italianos no início do séc.XX até a crise de 1929 com o crack da bolsa de NY-EUA.
Terceiro bloco evidencia-se a ascensão dos regimes totalitários, focando na propaganda política de Benito Mussolini e seus efeitos nas comunidades agrárias brasileiras.
Ainda no mesmo bloco, reduz-se a escala e a narrativa se dá pelo cotidiano de Burarama na década de 30 e seus dois líderes antagonistas , tendo como centro do cabo de guerra a Ação Integralista Brasileira. O recrutamento de praticamente toda a comunidade e o centro de resistência.
No quarto bloco, o depoimento dos remanescentes de ambos os lados, foco nas reações físicas ante perguntas colocadas sobre a época e estudiosos analisando a configuração sócio política da época de forma a resultar nas emoções dos camponeses.
Quinto bloco: os ecos do regime ditatorial e da AIB entre os jovens da região e opinião dos estudiosos sobre o silêncio que paira na região sobre o tema, as reações dos remanescentes ao serem lembrados de fatos pontuais, registrados em jornais da época na região.
No sexto bloco, o cotidiano da vila atualmente e a síntese de estudiosos sobre a coesão social de comunidades agrárias fundadas por imigrantes.
Coletânea de considerações finais nas entrevistas dos habitantes do vilarejo.
Através desses registros, temos uma experiência humanizada do que foi a influência dos regimes totalitários pelo mundo e dos ecos dessas ideologias em lugares remotos, como a pequena Burarama.
Ali a vila se comportou como um pequeno país.
Produtor Executivo: Lourenço Diniz